O que 12 meses monitorando um sistema de aquecimento solar nos ensinaram sobre eficiência energética na geração de água quente
- Leonardo Chamone Cardoso

- 29 de mai.
- 2 min de leitura
Quando falamos em eficiência energética em sistemas de aquecimento solar, uma das metodologias mais utilizadas no mercado é a Carta-F. Esse método é aplicado há décadas para estimar o desempenho de sistemas solares térmicos e segue como uma importante referência técnica no setor.
Aqui na Solis Solar utilizamos essa metodologia há mais de 20 anos em projetos de diferentes portes. Em aplicações maiores, como hotéis, hospitais e sistemas centrais de água quente, os resultados sempre apresentaram excelente coerência com o desempenho observado na prática.
Com o tempo, porém, algumas análises internas começaram a chamar nossa atenção em aplicações residenciais. Ao comparar os cálculos da Carta-F com dados reais de operação, percebemos que os sistemas entregavam uma eficiência energética superior à prevista teoricamente.
Para aprofundar esse estudo, realizamos o monitoramento completo de um sistema de aquecimento solar residencial durante 12 meses em Birigui SP. Durante esse período foram acompanhados dados como consumo de água quente, temperaturas e consumo de energia elétrica auxiliar.

A análise comparou duas metodologias diferentes. A primeira utilizou o cálculo tradicional da Carta-F. A segunda foi baseada no balanço energético direto do sistema, abordagem que passou a ser chamada internamente de Fração Solis.
Os resultados mostraram diferenças importantes. Enquanto a Carta-F apontou uma participação solar média de 66,9%, o monitoramento real apresentou 87,3%. Já o cálculo pelo balanço energético direto chegou a 86,6%, ficando muito mais próximo do desempenho efetivamente observado.

Na prática, isso mostrou que o balanço energético direto representa com mais fidelidade o comportamento dos sistemas residenciais dentro da realidade climática brasileira.
A partir dessa análise, passamos a adotar a metodologia baseada no balanço energético direto para cálculo de eficiência energética em aplicações residenciais. Internamente, batizamos essa abordagem de Fração Solis e a utilizamos no Dimensolis, nossa calculadora de dimensionamento de sistemas de aquecimento solar, (www.dimensolis.com.br/banho) para calcular a economia média anual estimada dos sistemas de aquecimento solar residencial em todo Brasil. Vale reforçar que, para aplicações de grande porte, o método da Carta – F continua ser a recomendação absoluta por parte da Solis.
Esse estudo reforça a importância de acompanhar sistemas reais em operação. É dessa forma que a engenharia evolui, aprimora métodos e desenvolve análises cada vez mais próximas da realidade do mercado.



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